sábado, 8 de junho de 2013

Progresso: A Que Custo?



             Vindo pela PE-060, sentido Barreiros – Alagoas, facilmente se notará os lotes a venda na entrada de São José da Coroa Grande quase como cartão postal da cidade e símbolo de prosperidade, doce ilusão.
            Não que haja algo de errado na construção de novos empreendimentos que possam criar novas oportunidades para nossa cidade, contudo, há de se ter uma preocupação com os impactos que a implantação destes possa gerar sobre a comunidade coroense. O avanço é desejável, entretanto, que venha dentro dos parâmetros do “desenvolvimento sustentável” (conjunto conceitual que procura harmonizar atividades econômicas com o meio onde elas são desenvolvidas, sem comprometer os recursos naturais e as condições sociais nele existente): economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto. O que não acontece no caso observado.
            O loteamento de áreas próximo a Manguinhos (Distrito de São José da Coroa Grande) “é economicamente viável para poucos”. A obra hoje é uma ameaça substancial a riqueza cultural e ambiental do município. Há relatos claros de coação sofrida pelos moradores de Manguinhos para que vendam suas casas por míseros R$ 3.000,00 (três mil reais), quantia irrisória para pessoas que ter direito a usucapião (direito de posse por tempo de uso). As habitações existentes nos arruados, com mais de meio século, foram moradas dos antigos trabalhadores da Usina Central Barreiros, os tijolos batidos das casas derrubadas evidenciam o valor histórico e cultural do lugar que pode ser aproveitado pela comunidade em atividades turísticas descentralizadoras de renda.
            Ao invés disso, o que se ver é a migração quase que forçada para áreas de risco social da região, contribuindo para o aumento nos índices de violência.
            Outra problemática bastante pertinente diz respeito ao impacto ambiental na área de loteamento, uma várzea onde se encontra vários exemplares da fauna local como anum, guaiamum, cobra cipó, sábia, muitas espécies de pequenos peixes, dentre outros, e vegetação típica. Com a ocupação do seu habitat estes animais se tornaram pragas urbanas.
            O impacto maior é sobre os recursos hídricos, em especial ao rio que desemboca no manguezal de Gravatá (São José da Coroa Grande), a destruição da vegetação nativa, principalmente da flora ciliar, e aterramento do local aonde se situam lotes e estradas de acesso a eles, vem provocando o seu assoreamento (acúmulo de sedimentos no rio que causa a diminuição do seu leito), fruto da erosão (arrastamento de sedimentos por água ou outros agentes) do barro lá colocado. Já se ver trechos em estado avançado degradação, quase que extinguidos.
            Não é apenas uma questão ambiental isolada, já que espécies de peixes e outros animais dependem do estuário (ambiente de transição entre o rio e o mar) para se reproduzirem o que afetará a economia local no momento em que a população de pescados diminuirá drasticamente com a morte do rio, afetando a economia pesqueira local.

Área de loteamento  próximo a comunidade Mata do Cajueiro

Erosão do aterro do loteamento próximo a comunidade Mata do Cajueiro

Assoreamento do córrego, antes usado para pesca de camarão e pequenas espécies de peixes, próximo a comunidade Mata do Cajueiro

Anum (pássaro nativo)

Estrada de acesso aos lotes, ao fundo o manguezal de Gravatá.

Construção de ponte sobre rio que deságua em Gravatá.

Assoreamento do rio com foz em gravatá.

"Loca" de Guaiamum

Helicônia (flores bastantes valorizadas pela floricultura comercial e bioindicadora da presença de beija flores única espécie capaz de polinizá-la).

Vegetação típica (bio indicadora da presença de guaiamum)

Nível de assoreamento avançado em rio próximo a Manguinhos onde antes se dava para nadar.

Casa com mais de meio século sendo destelhada

Telhas retirada de casa histórica

Aterro na chegada a São José da Coroa Grande


Um comentário:

  1. meu deus nasci e cresci em Manguinhos durante 17 anos,tudo era muito lindo uma natureza em pecável essas pessoas ñ sabem o que faz.muita saudades da que li Manguinhos de 17 anos atras.

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