Vindo pela PE-060, sentido
Barreiros – Alagoas, facilmente se notará os lotes a venda na entrada de São
José da Coroa Grande quase como cartão postal da cidade e símbolo de
prosperidade, doce ilusão.
Não
que haja algo de errado na construção de novos empreendimentos que possam criar
novas oportunidades para nossa cidade, contudo, há de se ter uma preocupação
com os impactos que a implantação destes possa gerar sobre a comunidade
coroense. O avanço é desejável, entretanto, que venha dentro dos parâmetros do
“desenvolvimento sustentável” (conjunto conceitual que procura harmonizar
atividades econômicas com o meio onde elas são desenvolvidas, sem comprometer
os recursos naturais e as condições sociais nele existente): economicamente viável,
socialmente justo e ambientalmente correto. O que não acontece no caso
observado.
O
loteamento de áreas próximo a Manguinhos (Distrito de São José da Coroa Grande)
“é economicamente viável para poucos”. A obra hoje é uma ameaça substancial a
riqueza cultural e ambiental do município. Há relatos claros de coação sofrida
pelos moradores de Manguinhos para que vendam suas casas por míseros R$
3.000,00 (três mil reais), quantia irrisória para pessoas que ter direito a
usucapião (direito de posse por tempo de uso). As habitações existentes
nos arruados, com mais de meio século, foram moradas dos antigos trabalhadores
da Usina Central Barreiros, os tijolos batidos das casas derrubadas evidenciam
o valor histórico e cultural do lugar que pode ser aproveitado pela comunidade
em atividades turísticas descentralizadoras de renda.
Ao
invés disso, o que se ver é a migração quase que forçada para áreas de risco
social da região, contribuindo para o aumento nos índices de violência.
Outra
problemática bastante pertinente diz respeito ao impacto ambiental na área de
loteamento, uma várzea onde se encontra vários exemplares da fauna local como
anum, guaiamum, cobra cipó, sábia, muitas espécies de pequenos peixes, dentre
outros, e vegetação típica. Com a ocupação do seu habitat estes animais se
tornaram pragas urbanas.
O
impacto maior é sobre os recursos hídricos, em especial ao rio que desemboca no
manguezal de Gravatá (São José da Coroa Grande), a destruição da vegetação
nativa, principalmente da flora ciliar, e aterramento do local aonde se situam
lotes e estradas de acesso a eles, vem provocando o seu assoreamento (acúmulo
de sedimentos no rio que causa a diminuição do seu leito), fruto da erosão
(arrastamento de sedimentos por água ou outros agentes) do barro lá colocado.
Já se ver trechos em estado avançado degradação, quase que extinguidos.
Não
é apenas uma questão ambiental isolada, já que espécies de peixes e outros
animais dependem do estuário (ambiente de transição entre o rio e o mar) para
se reproduzirem o que afetará a economia local no momento em que a população de
pescados diminuirá drasticamente com a morte do rio, afetando a economia
pesqueira local.
 |
| Área de loteamento próximo a comunidade Mata do Cajueiro |
meu deus nasci e cresci em Manguinhos durante 17 anos,tudo era muito lindo uma natureza em pecável essas pessoas ñ sabem o que faz.muita saudades da que li Manguinhos de 17 anos atras.
ResponderExcluir